Ordo Virtutum (A Ordem das Virtudes)

Ordo Virtutum
(A Ordem das Virtudes)
Em 17 de setembro, recorda-se Hildegarda de Bingen (1098–1179).
Ela foi uma monja cristã, escritora, mística e teóloga alemã.
Monja beneditina, viveu na mesma época de São Bernardo de Claraval (1090–1153).
Apresento aqui um testemunho que confirma uma correspondência epistolar entre essas duas grandes figuras do passado, que deixaram uma marca indelével de sua passagem terrena:
Quanto à nobre abadessa Hildegard von Bingen, aconteceu que, justamente em 1146, ela escreveu uma carta ao já famoso Bernardo de Claraval, buscando uma espécie de reconhecimento oficial de sua capacidade de ver e ouvir “coisas grandes e maravilhosas”, e de interpretar os textos sagrados de maneira nova, apesar de sua escassa instrução.
Na carta de resposta, também datada de 1146–1147,
Bernardo escreveu:
“Alegramo-nos pela graça de Deus que está em ti, e, no que depende de nós, exortamos e suplicamos para que a reconheças como tal e procures corresponder-lhe com a máxima humildade e devoção, consciente de que Deus resiste aos soberbos, mas concede Sua graça aos humildes. Afinal, onde há uma ciência interior e a unção que ensina todas as coisas, o que poderíamos nós ensinar ou aconselhar?”
Haveria tanto a escrever sobre as obras de Santa Hildegarda e São Bernardo de Claraval,
mas aqui não posso redigir uma Enciclopédia Universal —
sobretudo porque não seria capaz disso.
Portanto, remeto os estudiosos aos textos escritos de Bernardo e Hildegarda.
Esta última, também compositora de música, foi reconhecida como Doutora da Igreja em 2012 por Bento XVI.
Antes tarde do que nunca.
Neste breve contexto, publico esta minha composição em endecasílabos e setenários.
A inspiração me veio ao ouvir uma peça musical composta pela mística alemã,
enquanto a escolha desta métrica mista nasceu da singular capacidade de harmonia entre versos de 11 e 7 sílabas.
É por essa característica que setenários e endecasílabos aparecem frequentemente entrelaçados.
Ordo Virtutum
(A Ordem das Virtudes)
A Ti clamo, invocando-Te,
do fundo do meu coração, ó Senhor.
Chegue a Ti este clamor,
o pedido permeado de amor.
Ressoam as cordas,
apaixonadas, vibrantes e fervorosas,
para levar o meu Ego
até o limiar do Grande Guardião,
no Coração do meu Deus.
Acolhe esta súplica, Senhor,
recebe a alma pecadora
da Tua humilde serva,
como aquele navegante
abatido nas rochas e naufragado
entre as ondas e a tormenta.
Dá-me, Rei de todos os Universos,
a Fé, a Esperança,
a Caridade, o Amor, a Sabedoria.
Livra-me do pecado,
faz brilhar as Estrelas no caminho,
guia-me pela vereda
imerso na luz cintilante,
até que me conduzam,
como puros diamantes fulgurantes,
até contemplar o Teu rosto.
Rogo-Te, suplico-Te, imploro-Te,
faz que minha alma
una-se ao Teu Espírito,
no fogo do Único
Sol, radiante, brilhante e potente,
a única fonte verdadeira,
geradora de tesouro cintilante.
Por isso Te agradeço:
no Filho predileto vieste,
para a salvação humana
e para a nossa redenção eterna
manifestaste-Te,
em Cristo Jesus encarnaste-Te.
Florença, 03/12/2018 às 15h44
Ouvindo Ordo Virtutum de Santa Hildegarda de Bingen.
Revista e corrigida em endecasílabos e setenários em 17/09/2021 às 22h30.
Última revisão e correções em 27/07/2023 às 8h00.
Imagem e informações históricas:
https://giuseppedecesaris.blogspot.com/2019/10/bernardo-di-chiaravalle-ed-ildegarda-di.html
Imagem da capa obtida na web.
Para referências poéticas, ver:
Tommaso Palamidessi
“Poesia e Metrica o arte del Poetare per il lavoro Ascetico”, p.15
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